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Desejo, também no início deste novo ano, fazer chegar
os meus votos de paz a todos e, com esta minha Mensagem, convidá-los
a reflectir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. Já
o meu venerado antecessor João Paulo II, na Mensagem para
o Dia Mundial da Paz de 1993, sublinhara as repercussões
negativas que acaba por ter sobre a paz a situação
de pobreza em que versam populações inteiras. De facto,
a pobreza encontra-se frequentemente entre os factores que favorecem
ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. Estes últimos,
por sua vez, alimentam trágicas situações de
pobreza. Vai-se afirmando (...), com uma gravidade sempre maior
– escrevia João Paulo II –, outra séria
ameaça à paz: muitas pessoas, mais ainda, populações
inteiras vivem hoje em condições de extrema pobreza.
A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo
nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se
de um problema que se impõe à consciência da
humanidade, visto que as condições em que se encontra
um grande número de pessoas são tais que ofendem a
sua dignidade natural e, consequentemente, comprometem o autêntico
e harmónico progresso da comunidade mundial.
Neste contexto, combater a pobreza implica uma análise atenta
do fenómeno complexo que é a globalização.
Tal análise é já importante do ponto de vista
metodológico, porque convida a pôr em prática
o fruto das pesquisas realizadas pelos economistas e sociólogos
sobre tantos aspectos da pobreza. Mas a evocação da
globalização deveria revestir também um significado
espiritual e moral, solicitando a olhar os pobres bem cientes da
perspectiva que todos somos participantes de um único projecto
divino: chamados a constituir uma única família, na
qual todos – indivíduos, povos e nações
– regulem o seu comportamento segundo os princípios
de fraternidade e responsabilidade.
Cada um entregue-se à tarefa que lhe incumbe com a maior
diligência possível » – escrevia em 1891
Leão XIII, acrescentando: « Quanto à Igreja,
a sua acção não faltará em nenhum momento
».(18) Esta consciência acompanha hoje também
a acção da Igreja em favor dos pobres, nos quais vê
Cristo,(19) sentindo ressoar constantemente em seu coração
o mandato do Príncipe da paz aos Apóstolos: «
Vos date illis manducare – dai-lhes vós mesmos de comer
» (Lc 9, 13). Fiel a este convite do seu Senhor, a Comunidade
Cristã não deixará, pois, de assegurar o seu
apoio à família humana inteira nos seus impulsos de
solidariedade criativa, tendentes não só a partilhar
o supérfluo, mas sobretudo a alterar « os estilos de
vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas
consolidadas de poder que hoje regem as sociedades ».(20)
Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa
de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso
convite a alargar o coração às necessidades
dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível
para ir em seu socorro. De facto, aparece como indiscutivelmente
verdadeiro o axioma « combater a pobreza é construir
a paz ».
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sto do Senhor.
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